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Ônibus é o meio de transporte mais seguro, apontam dados nacionais

Levantamentos mostram que acidentes com motos geram 473 vezes mais internações que ocorrências com ônibus. Esse e outros dados, trazidos pela Revista NTUrbano, mostram que o transporte coletivo é o meio de transporte mais seguro para se locomover.

O debate sobre mobilidade urbana vai muito além da escolha do meio de transporte. Ele envolve segurança, saúde pública, equilíbrio econômico e qualidade de vida nas cidades.

Dados recentes do estudo “Mortalidade e morbidade das motocicletas e os riscos da implantação do mototáxi no Brasil”, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), revelam um cenário preocupante: a motocicleta é hoje o meio de transporte que mais mata no país.

Segundo dados do DataSUS/Ministério da Saúde, em 2024, o Brasil registrou 165.453 internações hospitalares decorrentes de acidentes com motocicletas, enquanto apenas 350 internações foram relacionadas a acidentes com ônibus.

Isso significa que, para cada internação envolvendo ônibus, há 473 internações por acidentes com motos.

Essas informações fazem parte da reportagem “Motos Mortais”, divulgada pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), na Revista NTUrbano, edição 78 (novembro/dezembro de 2025).

Impacto direto na saúde pública

O levantamento do DataSUS divulgado pela NTU mostra, ainda, que os custos hospitalares com vítimas de motocicletas chegaram a R$ 273 milhões em 2024. Já as ocorrências envolvendo ônibus geraram aproximadamente R$ 650 mil em despesas ao sistema público de saúde, número 420 vezes menor que os gastos com vítimas de motos.

Além do impacto financeiro, há forte pressão sobre hospitais e prontos-socorros. Em diversas cidades brasileiras, vítimas de acidentes com motos ocupam mais de 50% dos leitos ortopédicos e prontos-socorros, segundo o Ipea.

E mais: o risco de morte de um usuário de motocicleta é 114 vezes maior do que o de um passageiro de transporte público por ônibus, afirma o DataSUS na reportagem da NTU.

Jovens são as principais vítimas

Em 2023, as motos responderam por 40% das mortes no trânsito brasileiro. E a tendência é que esse número aumente. Entre 1995 e 2023, o número de mortes em acidentes com motos aumentou 15 vezes, saltando de 792 para 13.521 vítimas fatais, segundo o estudo do Ipea.

Para os autores do levantamento, Carlos Henrique Ribeiro de Carvalho e Carlos Eduardo de Carvalho Vargas, “o avanço da letalidade acompanha a expansão dos serviços de transporte por moto, especialmente os intermediados por aplicativos”, conforme disseram à Revista.

E se não bastasse o impacto na saúde pública, os dados do estudo mostram um recorte social importante, e preocupante:

  • 89% das vítimas fatais são homens;
  • 70% têm entre 20 e 49 anos;
  • 35% das mortes ocorrem entre jovens de 20 a 29 anos.
  • 50% dos donos de motos não têm CNH A

Ou seja, trata-se principalmente da população economicamente ativa, o que amplia os impactos sociais e familiares.

Acidentes com moto geram 473 vezes mais internações do que com ônibus, o que faz do transporte coletivo o meio de se locomover mais seguro

Transporte coletivo: pilar da mobilidade segura

O estudo do Ipea reforça que o transporte público coletivo é elemento central para uma mobilidade mais segura e sustentável.

Diferentemente do transporte individual sobre duas rodas, o sistema de ônibus opera com:

  • Regulamentação específica;
  • Fiscalização permanente;
  • Motoristas profissionais capacitados;
  • Manutenção periódica da frota;
  • Controle operacional.

Além disso, políticas públicas como faixas exclusivas, subsídios e investimentos estruturais são apontadas pelos especialistas como essenciais para tornar o transporte coletivo mais atrativo e competitivo.

Já os riscos associados ao transporte por moto vão desde as limitações físicas do veículo às falhas estruturais do ambiente urbano. “A motocicleta não oferece proteção ao corpo. Quando falamos de mototáxi, estamos tratando de duas pessoas
completamente expostas”, afirma Carlos Henrique Ribeiro na reportagem da Revista NTUrbano.

Investir em transporte público é investir em vidas

A mobilidade urbana não deve ser analisada apenas sob a ótica do deslocamento individual, mas também sob a perspectiva da segurança coletiva e da responsabilidade social.

Os dados mostram que o ônibus é, comprovadamente, o meio de transporte motorizado mais seguro nas cidades brasileiras. E garantir sua sustentabilidade é garantir uma cidade mais equilibrada para todos.

Dessa forma, fortalecer o transporte coletivo não é apenas uma escolha de mobilidade. É uma estratégia de segurança viária, de racionalidade econômica e de responsabilidade social.

É uma medida que contribui para salvar vidas, reduzir custos públicos e garantir inclusão. Por isso, priorizar o transporte coletivo é priorizar a cidade e as pessoas.

Acesse a Revista NTUrbano, edição 78 e confira a matéria completa na página 22.

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